Aluno empreendedor vende cookies e custeia intercâmbio

Uma receita de família adaptada rendeu euros para viagem à Alemanha

No Brasil o empreendedorismo tem crescido em tempo recorde. Só entre janeiro e novembro de 2025, 4,6 milhões de pequenas empresas já haviam sido abertas no país, segundo dados da Receita Federal. Grande parte desse número são de jovens entre 18 e 29 anos. Mas e quando o empreendedorismo chega na adolescência? Foi o que aconteceu com Arthur Reis Tramontina, de 16 anos, aluno do Colégio Universitário.

Arthur tinha um sonho: fazer intercambio na Alemanha. Morou em Rolândia, PR, conhecida como a “Cidade Germânica” por ter a colonização alemã marcante e daí surgiu a curiosidade de conhecer mais sobre a cultura. Os pais ficaram surpresos com o destino, mas como o filho pretende cursar algo na área de TI entenderam que ele também buscava por tecnologia e inovação. 

Sempre teve consigo a visão de empreender para ter independência financeira. Papo de adulto, mas que Arthur sempre tinha em mente. Muitas vezes planejava, porém, não seguia em frente. Até que um dia, fazendo cookies com o irmão a ideia veio: que tal vender os cookies? E assim virou um negócio: a Reis Cookies. “Eu levava toda semana na escola e ia juntando dinheiro e comprando coisas para melhorar a estrutura do negócio e consequentemente conseguir fazer cada vez mais”, conta Arthur. E os cookies não são quaisquer cookies. São receita de sua avó, de um livro de família que é passado de geração para geração desde a bisavó de Arthur. “Eu mudei pequenas coisas da receita dela para se encaixar na nova tendência de cookies recheados, porém ainda existe aquele sabor de conforto, de ser algo feito pela minha vó”, fala o estudante.

Inicialmente não havia pretensão de arrecadar dinheiro para algo específico, mas depois de dois meses de vendas decidiu juntar para a viagem, pois Arthur queria “aproveitar o tempo que poderia passar na Alemanha sem depender muito dos meus pais”. Ao todo o Arthur produziu 1800 cookies que foram vendidos e transformados em euros para sua viagem. A mãe Giselle dos Reis Tramontina, observa que o Colégio Universitário sempre apoiou desde o primeiro instante e entendeu o momento de ir do Arthur. O Colégio Universitário permitiu a venda e o estudante reconhece que foi o ponto mais importante para que ele conseguisse ter um negócio. “O colégio me ajudou com as pessoas em volta com o pensamento constante em querer crescer, com o professor de empreendedorismo Feijão (nome) que me ensinou muitas coisas sobre negócios e gerenciamento de dinheiro”, explica o aluno.

Arthur, com o pensamento de seguir tendências do mercado, de investir na produção e de visar sempre crescer consolidou o seu negócio. Para outros colegas que tenham a mesma vontade de empreender, Arthur aconselha: “Tenha iniciativa e não tenha vergonha de começar pequeno, pois tudo começa de algum lugar”.

O aluno empreendedor viajou para a Alemanha por dois meses. A Mãe Giselle conta que foi difícil vê-lo partir, principalmente na hora de dar tchau, mas que o fato de ele ter uma pessoa o esperando lá, com seus pais e um lar para ele ficar trouxe conforto ao coração. Ter a oportunidade de entrar em contato com novas culturas é muito enriquecedor. Giselle aconselha que os pais permitam que seus filhos façam intercâmbio, que conversem com quem já fez, busquem alternativas para custear a viagem. “Vivam com seus filhos todas as fases! Desde as primeiras conversas, a compra da passagem, a viagem e toda experiência vivida”, incentiva Giselle.

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